segunda-feira, 21 de abril de 2008

segunda-feira, 31 de março de 2008

Por um TIBETE livre!



Nós não temos qualquer poder, a não ser a justiça,
a verdade e a sinceridade…e é por isso que peço,
à comunidade internacional, que nos ajude, por favor.
Estou aqui impotente, só posso pedir.

Dalai Lama


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Em 1950, o exército chinês ocupa Lassa, a capital do Tibete. Perante o silêncio internacional, os chineses iniciaram um "programa" de dizimação da cultura e sociedade tibetanas, sob o pretexto de ajudar os tibetanos a regressarem à pátria-mãe chinesa e de os libertar do "jugo do feudalismo".
Com o início dos confrontos armados em 1959, o Dalai Lama foi obrigado a deixar o seu país e a exilar-se na Índia (em Dharmsala, que passou a ser a sede do governo tibetano, no exílio), onde se dedica à causa da libertação do Tibete, através da não-violência . Juntamente com seis milhões de tibetanos espera que a comunidade internacional reaja à situação do seu país.
Em 1965, a China conferiu ao Tibete o estatuto de região autónoma, tentando demonstrar à comunidade internacional os benefícios da ocupação chinesa através da construção de hospitais, centrais eléctricas, estradas e escolas. No entanto, este progresso material em nada beneficiou os tibetanos (que são já uma minoria no seu próprio país), antes pelo contrário, somente aproveitou ao crescente número de emigrantes chineses que, encorajados pelo governo, continuam a usurpar todos os sectores político-económicos do Tibete.
Confrontado, agora, com o maior movimento tibetano desde há duas décadas, o chefe espiritual, numa carta aberta às "irmãs e irmãos chineses", assegurou querer "trabalhar com as autoridades chineses para a paz e a estabilidade do Tibete".
O Dalai Lama quer retomar o diálogo com Pequim e exprimiu o desejo de se encontrar com o presidente chinês, Hu Jintao, depois da crise terminada.
O governo de Pequim acusa o líder espiritual de "fomentar" as manifestações no Tibete - que provocaram 19 mortos, segundo Pequim, ou 140, segundo o governo tibetano no exílio - com o objectivo de sabotar os Jogos Olímpicos.
O Dalai Lama que participou, em Nova Deli, numa cerimónia de orações e meditação pelas vítimas dos motins, apela à comunidade internacional para ajudar a resolver a crise no Tibete.

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EU APOIO O POVO TIBETANO NA LUTA PELA CONQUISTA DA SUA AUTONOMIA POLÍTICA, CULTURAL E RELIGIOSA.

DIGO NÃO À GANÂNCIA E PREPOTÊNCIA DA CHINA.


O DALAI LAMA TEM DEFENDIDO A OBTENÇÃO DA AUTONOMIA, PELA VIA PACÍFICA. ESSA É MAIS UMA DAS RAZÕES QUE JUSTIFICA O MEU APOIO INCONDICIONAL À SUA CAUSA.


É NECESSÁRIO PRESSIONAR AS POTÊNCIAS OCIDENTAIS PARA QUE SE ENVOLVAM NESTA CAUSA JUSTA.

quarta-feira, 26 de março de 2008

PORQUE É PRECISO OPTAR...


Não sei onde arranjei este texto nem quem é o seu autor. No entanto, e apesar de já estar um pouco desactualizado (só na data em que foi escrito), decidi publicá-lo. Porque nos alerta para o perigo que corremos,como elementos de sociedades organizadas e como habitantes do planeta Terra.

Admiro o optimismo do autor e a sua confiança no Homem. Está a terminar o terceiro mês de 2008. Há algum indício da tal mudança imprescindível? Não vejo qualquer sinal. E tenho muito medo do futuro.

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UM MUNDO MELHOR

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Recusemos o mito de que a «mão invisível» do mercado resolve tudo, o domínio do dinheiro e do sucesso como valores supremos. Não se trata de pregar a utopia. Mas apenas de afirmar a confiança no Homem, no seu bom senso e racionalidade. 2007 despede-se sem deixar saudades. 2008, apesar dos riscos de agravamento internacional da crise financeira, do desemprego, da inflação, do deficit externo, da queda do dólar, do descrédito da América no mundo poderá ser um ano de viragem. Atenção! Provavelmente, a mudança virá da América. E da União Europeia que, com mais nove Estados a aderirem ao Espaço Schengen, abolindo as fronteiras deu um passo em frente. Por isso é seu dever acompanhar a mudança ou mesmo precedê-la, se houver coragem política, para evitar que lhe suceda o pior: a Civilização Ocidental entrar, definitivamente, em decadência.
Perante a crescente pujança dos chamados países emergentes, o que não exclui fortes contradições internas e dificuldades, e de alguns outros Estados, em todos os continentes, que não querem ficar para trás. O último, foi a viragem para o centro-esquerda ocorrida na Austrália. Entendamo-nos, porém: viragem, em que sentido? No plano das reformas sociais e ambientais a sério, sem as quais não haverá crescimento global sustentado. É importante que isto seja dito e repetido. E ainda do reforço dos Estados nacionais, de modo a conseguir conter a voracidade insaciável dos privados e a distribuir melhor o rendimento, para reduzir as crescentes desigualdades, que estão na origem da ausência de confiança na política e no papel do Estado e das revoltas, mais ou menos violentas, que afectam as sociedades mais desenvolvidas e as mais pobres.

Al Gore escreveu dois livros de divulgação de grande importância: o primeiro, Uma Verdade Inconveniente, como o filme que o precedeu, chamou a atenção mundial para os perigos que ameaçam o planeta, por irresponsabilidade política dos decisores, e valeu-lhe o Prémio Nobel; o segundo, O Assalto Contra a Razão, denuncia os perigos que a Democracia corre, quando os interesses privados das grandes multinacionais se sobrepõem às decisões das instituições e dos responsáveis que resultam do sufrágio popular. É uma denúncia corajosa do sistema neoliberal que, no segundo mandato do Presidente Bush, atingiu o seu pior.

Os resultados estão à vista de todos: uma crise financeira, que está a contagiar a União Europeia e, a não ser dominada, conduzirá a uma recessão de consequências mundiais gravíssimas; o descrédito de uma Democracia, que era uma referência para o mundo, em consequência dos sucessivos atentados aos Direitos Humanos praticados dentro e fora do seu território, de que são exemplos terríveis Guantánamo e Abu Ghraib; a «guerra preventiva» movida contra o Iraque, sem o aval das Nações Unidas, que mais do que um erro foi um crime, que incendiou o Médio Oriente e estimulou o terrorismo, em vez de o combater; uma política securitária de raiz repressiva que está a tornar-se numa paranóia colectiva. É necessário reagir, apelando à razão, com objectividade e bom senso, recusando todos os fanatismos.

No início do novo milénio, enquanto a memória das ditaduras do séc. XX, de sinal contrário e dos seus horrores permanece viva, saibamos defender os princípios que decorrem da Razão e da Ética. Recusemos a falsa ideologia neoliberal, o mito de que a «mão invisível» do mercado resolve tudo, o domínio do dinheiro e do sucesso a qualquer preço como valores supremos. Lutemos contra a banalização da Política e os políticos de marketing, feitos artificialmente como subprodutos vendáveis. Saibamos voltar aos valores da Liberdade, da Justiça e da Solidariedade. Para construir um mundo mais humano e melhor, a que aspiram, legitimamente, todos os Povos da Terra.

sexta-feira, 21 de março de 2008

quinta-feira, 20 de março de 2008

A História das Coisas

É pena que não seja em português. Mas entende-se e vale a pena ver e... reflectir.

sexta-feira, 14 de março de 2008

O Céu longe ou perto?


O Céu cada vez mais longe

O Vaticano acaba de acrescentar mais seis ou sete pecados mortais à já longa lista de Gregório Magno. Ser santo nunca foi fácil. Mesmo assim, desde que o Papa Sisto V decidiu, como hoje se diria, centralizar a santidade, criando um sistema de avaliação de santos, já foram aprovados 2932. Num livro recente, intitulado “Como se faz um santo”, o cardeal Saraiva Martins, perfeito da congregação para as Causas dos Santos, explica o sistema de avaliação da santidade adoptado pelo Vaticano, que é ainda mais “científico” que todas as grelhas e quadros sinópticos “made in ISCTE” com que o ME pretende, entre nós, avaliar a santidade dos professores. Só que, se até aqui, para se ser santo titular não se podia ser guloso, preguiçoso, invejoso, avaro, orgulhoso, lascivo ou iracundo, a partir de agora passa a ser preciso, além disso, entre outras condições, não causar danos ambientais, não criar desigualdades sociais e não acumular riquezas excessivas. Então e os empresários e banqueiros católicos bem sucedidos? O CO2 dos carros de alta cilindrada? Os despedimentos? As “deslocalizações”? Os dividendos? Agora, para chegarem ao topo da carreira da santidade, os ricos vão ter que trazer sempre consigo um padre-assessor que os absolva de cada vez que fazem um negócio.


Manuel António Pina

Jornal de Notícias

14.03.2008

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O que o Manuel António Pina não viu foi, mesmo ao lado do seu artigo, o que escreveu o arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga:

"Olho para o mundo da Educação e quero oferecer-lhes esperança, através de educadores sacrificados e generosos que são acompanhados nos seus trabalhos por um estatuto que os dignifique e responsabilize."

Pelos vistos, a Ministra da Educação até é nossa amiga: o que ela quer é levar-nos à santidade através do sacrifício. Qualquer dia, ainda nos obriga a usar cilício. Sempre entraremos no céu mais depressa.

Parece um mundo de loucos!...

terça-feira, 11 de março de 2008

2008: A GLOBALIZAÇÃO NEOLIBERAL PASSOU À HISTÓRIA













A ideologia da globalização neoliberal tem feito uma trajectória triunfante desde o início dos anos 80. Não foi de facto uma ideia nova na história do moderno sistema-mundo, apesar de ter sido anunciada como tal. Era na verdade a velha ideia de que os governos do mundo deviam sair do caminho das grandes e eficientes empresas, nos seus esforços para dominar o mercado mundial. A primeira implicação política era que os governos, todos os governos, deviam permitir que essas corporações atravessassem livremente cada fronteira com os seus bens e o seu capital. A segunda implicação política era que os governos, todos os governos, deviam renunciar a qualquer papel como proprietários destas empresas produtivas, privatizando qualquer uma que fosse de sua propriedade. E a terceira implicação política era a de que os governos, todos os governos, deveriam minimizar, se não eliminar, todo e qualquer tipo de transferências de bem-estar social para as suas populações. Esta velha ideia sempre esteve ciclicamente na moda.
Nos anos 80, estas ideias foram propostas como uma visão oposta às igualmente velhas visões socialista e/ou keynesiana que tinham prevalecido na maioria dos países à volta do mundo: de que as economias deviam ser mistas (Estado mais empresas privadas); de que os governos deviam proteger os seus cidadãos das depredações das corporações estrangeiras quase monopolistas; e de que os governos deviam tentar igualar as oportunidades de vida, transferindo benefícios dos residentes menos abastados (especialmente nas áreas da educação, da saúde e das garantias de rendimentos por toda a vida), o que exigia evidentemente a colecta de impostos dos residentes mais ricos e das empresas.
O programa da globalização neoliberal tirou vantagem da estagnação mundial que começou depois de um longo período de expansão global sem precedentes, desde o pós-1945 até o início dos anos 70, que encorajara o domínio político das visões socialistas e/ou keynesianas. A estagnação dos lucros criou problemas de balança de pagamentos a um grande número de governos do mundo, especialmente no Sul global e no chamado bloco socialista de nações. A contra-ofensiva neoliberal foi liderada pelos governos de direita dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha (Reagan e Thatcher) mais as duas principais agências financeiras intergovernamentais - o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial -, e estes em conjunto criaram e impuseram o que veio a ser chamado de Consenso de Washington. O slogan desta política conjunta global foi cunhado por Mrs. Thatcher: TINA, sigla em inglês de Não Há Alternativa. O slogan tinha a intenção de transmitir a todos os governos a mensagem de que tinham de entrar em linha com as recomendações políticas, ou seriam punidos pelo crescimento lento e pela recusa de assistência internacional no caso de virem a enfrentar dificuldades.
O Consenso de Washington prometeu um renovado crescimento económico para todos e uma saída para a estagnação global. Politicamente, os proponentes da globalização neoliberal tiveram grande sucesso. Governo após governo, - no Sul global, no bloco socialista e nos fortes países ocidentais - privatizaram indústrias, abriram as fronteiras ao comércio e às transacções financeiras, e fizeram cortes no estado de bem-estar social. As ideias socialistas, mesmo as ideias keynesianas, foram amplamente desacreditadas na opinião pública, e as elites políticas renunciaram a elas. A consequência visível mais dramática foi a queda dos regimes comunistas na Europa central e do Leste e na ex-União Soviética, mais a adopção de uma política amigável ao mercado pela ainda nominalmente socialista China.
O único problema com este grande sucesso político foi não ter sido acompanhado pelo sucesso económico. A estagnação dos lucros das empresas industriais continuou em todo o mundo. A subida do mercado bolsista por todo o mundo baseou-se não em ganhos produtivos mas sim em manipulações financeiras especulativas. A distribuição dos rendimentos em todo o mundo e dentro dos países tornou-se muito distorcida - um grande aumento no rendimento dos 10% mais ricos e especialmente do 1% mais rico das populações mundiais, mas um declínio no rendimento real do resto das populações mundiais.
As desilusões com as glórias de um "mercado" irrestrito começaram a aparecer em meados dos anos 90. Pudemos observar este fenómeno em muitos eventos: o regresso ao poder de governos mais orientados para o bem-estar social em muitos países; o regresso dos apelos a políticas governamentais proteccionistas, especialmente por parte de movimentos sindicais e organizações de trabalhadores rurais; o crescimento mundial de um movimento de alterglobalização cujo lema era "um outro mundo é possível".
Esta reacção política cresceu lenta mas firmemente. Entretanto, os promotores da globalização neoliberal não só insistiram como aumentaram a pressão, com o regime de George W. Bush. O governo de Bush forçou simultaneamente a distribuição distorcida dos rendimentos (via grandes cortes de impostos aos muito ricos) e uma política externa de militarismo unilateral (a invasão do Iraque). Financiou estas políticas por uma fantástica expansão do endividamento através da venda de títulos do Tesouro dos EUA aos controladores das reservas mundiais de energia e das instituições de produção a baixo custo.
Parecia bom no papel, se tudo o que se lesse fossem os números das Bolsas de Valores. Mas era a uma bolha de super-crédito que estava fadada a estourar, e está agora a estourar. A invasão do Iraque (mais do Afeganistão mais o Paquistão) está a mostrar-se um grande fiasco político e militar. A solidez da economia dos Estados Unidos foi desacreditada, provocando uma queda radical do dólar. E as Bolsas do mundo estão a tremer à medida que enfrentam o furo da bolha.
Que conclusões políticas estão a tirar governos e populações? Parece haver, de imediato, quatro. A primeira é o fim do papel do dólar americano como moeda de reserva do mundo, que torna impossível a continuidade da política de super-endividamento tanto do governo dos Estados Unidos quanto dos seus consumidores. A segunda é o regresso a um alto grau de proteccionismo, tanto no Norte global quanto no Sul global. A terceira é o regresso da aquisição por parte do Estado das empresas falidas e da implementação de medidas keynesianas. A última é o regresso das políticas sociais redistributivas.
A balança política está a oscilar de novo. A globalização neoliberal será descrita daqui a dez anos como uma oscilação cíclica na história da economia-mundo capitalista. A verdadeira questão não é se esta fase está encerrada, mas se a oscilação para trás será capaz, como no passado, de restaurar um estado de relativo equilíbrio no sistema-mundo. Ou os estragos foram demasiados? E estaremos agora a viver um caos mais violento na economia-mundo, e portanto no sistema-mundo no seu conjunto?

Immanuel Wallerstein, 1/2/2008
(Tradução de Luís Leiria)

terça-feira, 4 de março de 2008

Em nome de Cristo?

Manuel António Pina


"O coração revelador"
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Não sei o que é mais chocante na afirmação do cardeal patriarca ao "Sol" segundo a qual, com a queda da natalidade em Portugal, "a sociedade fica aberta a ser ocupada por gente vinda do terror", se o facto de D. José Policarpo pensar isso se, pensando-o, não ter pejo em dizê-lo. A expressão "gente vinda do terror" não é inocente; o cardeal não se refere a imigrantes chegados de lugares dolorosamente marcados pela miséria e a violência, não é esse o "terror" a que se refere, ou não apresentaria a situação como perigo (com ela, os cristãos portugueses até poderiam capitalizar boas acções com dividendos certos na bolsa da Salvação; pois não chamou Cristo a si os pobres e os andrajosos?). A palavra "terror" é mais óbvia trata-se de estrangeiros e pobres, que se amontoam em bairros suburbanos e não comungam nem vão à missa, isto é, "terroristas" ou delinquentes. Pior: têm "outra" cultura. Por isso, diz o cardeal, "já há sociedades europeias a braços com a multiculturalidade", como se a multiculturalidade fosse uma epidemia a erradicar. Às vezes as nossas palavras dizem mais que nós; porque é nelas, e não na razão calculista, que pulsa o coração, "o coração revelador" como diria Poe. E o coração das palavras do cardeal está cheio de sombras terríveis.
Manuel António Pina, in "Por Outras Palavras"
Jornal de Notícias, 4 de Março de 2008

segunda-feira, 3 de março de 2008

A Lucidez de JORGE PALMA


Optimista Céptico



Eu já estou farto das fotografias
Que me querem vender todos os dias
Os legionários mais os seus troféus
No chão a sangrar

Não posso mais olhar para aquela imagem
Parece que é sempre a mesma paisagem
A hipocrisia deste novo império
Faz-me vomitar

Por isso eu tornei-me um optimista céptico
Não sou bem igual ao céptico opti-místico
Só quero encontrar paz
Sem arrastar atrás nem mestre nem Deus

Já temos a informação cruzada
Empacotada e globalizada
Agora só nos falta a convicção
Para acreditar

Há assassinos que não se arrependem
Há tantos pensadores que nunca aprendem
E há quem insista sempre em aprender
Mas não quer pensar

Por isso eu tornei-me um optimista céptico…

Gostava de ser ecologista exótico
Sem perder de vista o meu perfil erótico
Ainda vou ser ilusionista crónico
Um mestre de fuga, um mago supersónico



Jorge Palma, álbum NORTE

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Será a MORTE o caminho?





Salvem a globalização - Atacar os bancos está na moda. (Bruno Proença)


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São a encarnação do diabo e os culpados de tudo. Em particular, da actual crise que arrasta a economia mundial para dias menos felizes. Afinal foi a sua ganância que criou o monstro do 'subprime' – crédito hipotecário de alto risco. Agora a bomba rebentou e os estilhaços chegam a todo o lado.


Os maiores ataques ao sistema financeiro vêm dos críticos da globalização. Dos que acham que a economia liberal está à beira da falência e o que é preciso é regular tudo e todos. São coerentes. O sistema financeiro foi a auto-estrada da globalização. Este processo arrancou com as transformações nas tecnologias de informação – microprocessadores, fibra óptica, satélites, internet – que criaram uma nova realidade de comunicações baratas. As instituições financeiras foram as que melhor aproveitaram a oportunidade para expandirem as suas actividades e, desta forma, aceleraram a globalização. Portanto, para os críticos, esta crise do sistema financeiro internacional, com bancos nos Estados Unidos e na Europa a assumirem perdas de 82,2 mil milhões de euros, é o sinal de que a globalização é perigosa e tem de ser travada. Como? Com mais leis, proteccionismos e nacionalismos económicos.


Quem defende isto? Os ricos, preguiçosos e hipócritas europeus. Às segundas, quartas e sextas defendem que é preciso acabar com a pobreza no mundo. Às terças, quintas e sábados resmungam com a globalização. Esquecem-se que os dois fenómenos estão ligados. Todo este processo de mudança correspondeu também a um forte empurrão no comércio livre. Os países pobres e em desenvolvimento precisam de mercados abertos para venderem os seus produtos e poderem igualmente beneficiar dos ganhos do comércio internacional. Foi assim que a Índia e a China começaram a ganhar peso na economia mundial. As suas economias estão a crescer e isso significa mais riqueza para as populações.


A verdade é que a globalização tirou da pobreza muitas centenas de milhões de pessoas pelo mundo. É verdade que ainda há muita pobreza mas já há segmentos de população nestes países que estão a experimentar níveis de riqueza até agora só vistos no mundo ocidental e no Japão.


Portanto, a onda proteccionista que está a nascer na Europa tem motivações egoístas. O modelo europeu está em causa. Deixou de ser competitivo perante a concorrência asiática. Ter que se reinventar dá muito trabalho. Por cá, estão a defender-se os direitos adquiridos.


A globalização está a acelerar o ritmo de mudanças e isso é um choque para as pessoas. De repente, coisas que pareciam certas deixaram de o ser. A resistência à mudança é natural. Mas isso não é razão para matar a globalização com barreiras alfandegárias, nacionalizações de empresas e regulamentos para o sistema financeiro internacional. Os ganhos são claramente superiores às perdas. Só é preciso aprender com os erros, continuar a criar riqueza e, claro, dividi-la melhor.


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Este senhor, que não conheço, parece ter a verdade na mão.


Confesso que até me enjoa ouvir falar de globalização, dos lucros dos bancos, da defesa de direitos adquiridos pelos trabalhadores europeus... Estou farta de tanto paleio!!!


Pois é! A Índia e China estão a tornar-se grandes potências económicas. E à custa de quê? De trabalhadores que melhor chamaríamos de escravos e do nenhum respeito pelo Planeta em que vivemos. Não é cometendo os mesmos erros que os ocidentais cometeram que se desenvolverão; não é roubando os direitos justos dos trabalhadores (no Ocidente, para sermos competitivos) que nos salvaremos.


O Mundo está um caos. Probeza extrema em África, desemprego ou emprego precário (a recibos verdes, sem quaisquer direitos) e mal pago, no nosso país, por exemplo.


Globalização? Quero lá saber se há ou não uma economia global. O que sei é que o sistema capitalista não serve, porque assenta num desenvolvimento baseado no aumento constante do consumo. E os recursos não duram para todo o sempre e a nossa pobre Terra está doente.


Qualquer dia, isto rebenta, explode. Ou talvez a Natureza, na sua sabedoria infinita, resolva extinguir a espécie humana. É o que merecemos.


Oxalá não seja já tarde demais!!!!!



sábado, 23 de fevereiro de 2008

Sempre vivo!




José Afonso
nascimento: 2.Agosto.1929
morte: 23.Fevereiro.1987
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Menino do Bairro Negro
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Olha o sol que vai nascendo
Anda ver o mar
Os meninos vão correndo
Ver o sol chegar
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Menino sem condição
Irmão de todos os nus
Tira os olhos do chão
Vem ver a luz
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Menino do mal trajar
Um novo dia lá vem
Só quem souber cantar
Vira também
*****
Negro bairro negro
Bairro negro
Onde não há pão
Não há sossego
*****
Menino pobre o teu lar
Queira ou não queira o papão
Há-de um dia cantar
Esta canção

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

OS AFECTOS SÃO O MAIS IMPORTANTE DA VIDA


Para todos os meus amigos e amigas, desejo o que há de melhor no mundo: O AMOR PERFEITO!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

E quem não tem padrinho?????


ARRANJA-ME UM EMPREGO



Tu precisas tanto
De amor e de sossego
E eu preciso dum emprego
Se mo arranjares
Eu dou-te o que é preciso
Por exemplo o paraíso
Ando ao deus-dará
Perdido nessas ruas
Vou ser mais sincero
Sinto que ando às arrecuas
Preciso de galgar
As escadas do sucesso
E por isso é que eu te peço
Arranja-me um emprego

Arranja-me um emprego
Pode ser na tua empresa
Com certeza
Que eu dava conta do recado
E para ti era um sossego

Se meto os pés para dentro
A partir de agora
Eu meto-os para fora
Se dizia o que penso
Eu posso estar atento
E pensar para dentro
Se queres que seja duro
Muito bem eu serei duro
Se queres que seja doce
Serei doce ai isso juro
Eu quero é ser o tal
E como tal reconhecido
E assim digo-te ao ouvido
Arranja-me um emprego

Sabendo que as minhas intenções
São das mais sérias
Partamos para férias
Mas para ter férias
É preciso ter emprego
Espera aí que eu já chego
Agora pensa numa casa
Com o mar ali ao pé
E nós os dois
A brindarmos com rosé
Esqueço-me de tudo
Com o pôr-do-sol assim
Chega aqui ao pé de mim
Arranja-me um emprego

Se eu mandasse neles
Os teus trabalhadores
Seriam uns amores
Greves era só
Das seis e meia às sete
Em frente a um cassetete
Primeiro de Maio
Só de quinze em quinze anos
Feriado em Abril
Só no dia dos enganos
E reivindicações
Quanto baste ma non troppo
Anda bebe mais um copo
Arranja-me um emprego
Sérgio Godinho

domingo, 3 de fevereiro de 2008

25 ANOS


Partiste, há 25 anos, não sei para onde ou se para lado nenhum. Fiquei mais só ainda. Até aos 22 anos tinha dois "colos": o teu e o da mãe. Ela foi embora mais cedo e agora, 3 de Fevereiro de 1983, era a tua vez.

De ti, herdei os olhos claros, o gosto pela leitura (a riqueza maior que poderias deixar-me), o exemplo de homem calmo, cordato e bom.

Tinha outros colos, não quero ser ingrata. Os dos meus três irmão/ãs, sempre presentes e importantes na minha vida. E tinha os meus dois filhotes, então pequerruchos, a precisarem do meu.

Quando te foste, no entanto... uma porta se fechou para sempre, pai.

Não perdeste muito. Sei que não gostarias de viver neste local absurdo em que o Mundo se está a transformar.

Descansa em paz no nada ou vela, por nós, se puderes!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Uma outra forma de VIVER



"Os artistas são a forma mais humana da presença de Deus no mundo."

Alberto A. Abreu






Chega-se a Vila Nova de Cerveira e, desde logo, se impõe "O Cervo" rei, escultura em ferro de José Rodrigues, que lá do alto da serra domina a vila. Visita obrigatória. Para admirar a obra de arte e a obra da Natureza: uma soberba vista do Rio Minho e da sua "Ilha dos Amores."


Continuando a subida, deparamos com o Mosteiro de S. Paio anichado numa das pregas da Serra da Gávea. Foi fundado em 1392, durante o Grande Cisma do Ocidente, grave crise da Igreja Católica que separou a Cristandade em obediência a dois Papas (o de Roma e o de Avinhão).


Numa tentativa de regresso à pureza dos ideais franciscanos de pobreza e de missionação, abandonados pelo amolecimento moral gerado pela crise religiosa, Frei Gonçalo Marinho, vindo da Galiza, implantou quatro comunidades de franciscanos observantes, no Alto Minho, entre elas este convento, na bela serra cerveirense, onde já existia uma ermida em honra de S. Paio, de devoção popular.


Talvez devido ao isolamento e à áspera vida imposta aos monges o Convento vai sendo, progressivamente, abandonado. Nos finais do séc. XVII, já se encontrava em ruínas.


Reergueu-o a religiosidade barroca com um belo claustro de arcos de sóbria decoração, com uma capela [de capela-mor profunda para o coro dos frades e as sepultura de benfeitores] e um enfiamento de celas exíguas e modestas .


Em meados do séc. XIX, com a extinção Liberal das Ordens Religiosas, o Convento de S. Paio foi novamente abandonado, sendo os seus bens vendidos em hasta pública. A biblioteca e o recheio artístico foram pilhados.



Mesmo neste estado, desperta a paixão dum artista que, em 1974, dá início à sua recuperação. Até há pouco, José Rodrigues teve aqui a sua residência permanente [1] e uma Associação Cultural a funcionar. É visível o óptimo estado em que se encontram o edifício e o espaço envoltente.


O Convento de S. Paio, dos Milagres, é hoje um centro de artistas, um espaço arquitectónico com jardins e exposições.


O Convento, que teve a intervenção do arquitecto Viana de Lima, serve de ponto de partida para uma viagem ao séc. XIV.


A visita proporciona o enquadramento histórico-geográfico e a contextualização das exposições apresentadas nos diferentes espaços, divulgando a obra artística e de colecção do escultor José Rodrigues.


Os jardins oferecem um passeio de grande valor paisagístico e estético.





"Aqui coloquei testemunhos que fui coleccionando ao longo dos anos. Aqui plantei também trabalhos meus, pegadas dum percurso de 60 anos dedicados às artes (escultura, desenho, pintura).


Gostaria que este espaço voltasse a ser, como no tempo dos frades observantes que o fundaram, um lugar para o reencontro de cada um consigo mesmo, um retomar do ideal comunitário, onde o diálogo entre Homem-Natureza fosse harmonioso.


Para tornar possível este projecto tive a ajuda de um irmão amigo, Aníbal Belo, que juntamente com outros irmãos, se propôs criar esta Associação Cultural."

José Rodrigues






Como se tudo isto não fosse suficiente, pelas últimas informações que recolhi, vive há mais de dez anos, no Convento, o escritor Luandino Vieira, inteiramente dedicado à escrita. Não vive em reclusão. Vive com a sua companheira e, quando visitado por amigos, pode eventualmente ser encontrado numa "tasquinha", em Caminha, num repasto de animada conversa.



Esta visita, por enquanto só por fora, ao mosteiro teve em mim um forte impacte.



Primeiro, porque acho notável e digno de apoio e louvor este projecto de José Rodrigues e dos seus irmãos. Portugal seria, com toda a certeza, outro país se mais alguns de nós fôssemos capazes de tentar realizar os nossos sonhos. Este é um belo exemplo a seguir.



Depois... porque... comecei eu a sonhar. A acreditar na possibilidade (utopia?) de recuar no tempo e decidir viver doutra maneira. Projectos deste tipo poderiam resolver, eventualmente, muitos dos problemas sociais que enfrentamos, ao mesmo tempo que poderiam ajudar a salvar marcos do nosso passado, hoje votados ao abandono e ao esquecimento.



Acreditem que dei por mim a desejar viver num sítio como aquele. Sempre senti em mim uma tentaçãozinha ascética e talvez me fosse dado encontrar, num projecto deste tipo, a tal harmonia com a Natureza e o Universo, tal difícil de alcançar no "mundo dos homens".


[1] Penso que tudo continua a funcionar na mesma no Convento. O José Rodrigues continua a ser o seu proprietário e interessado neste projecto. Só que não é homem de "rotinas" e está a ultimar, neste momento, a abertura da Fundação José Rodrigues, numa antiga fábrica de chapéus, que comprou, e está a transformar. Fica na Rua da Fábrica Social, freguesia de Santo Ildefonso, no Porto.

Passe pelo meu blogue Amar o PORTO +, se pretende conhecer melhor este novo projecto de José Rodrigues:

http://amaroporto2.blogs.sapo.pt/

Vale a pena, acredite!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Natal 2007 * Ano 2008

A MINHA MENSAGEM DE NATAL

[...]
Mais império menos império,
mais faraó menos faraó,
será tudo um vastíssimo cemitério,
cacos, cinzas e pó.

Compreende-se.
Lá para o ano três mil e tal.

E o nosso sofrimento para que serviu afinal?

António Gedeão, Poema do Alegre Desespero


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O nosso mundo está a viver, quer queiramos quer não, um período revolucionário da trajectória da Humanidade. Enfrenta, dolorosamente, desafios nunca sonhados. É hora de parar e reflectir.


Independentemente das religiões professadas, a maior parte do mundo ocidental festeja o Natal. Mas o Natal não pode resumir-se aos presentes, às ruas iluminadas, ao bacalhau, às rabanadas e ao bolo-rei... ou a qualquer outra tradição.


Por acaso pensamos no que estamos a festejar? Todos dirão: o nascimento de Jesus Cristo. Só que o nascimento dum homem bom [ou do Filho de Deus, se preferirem ] deve, acima de tudo, levar-nos a reflectir na mensagem que deixou. Longe de estar ultrapassada, ela indica o caminho a seguir, HOJE, se queremos sobreviver no nosso planeta.


Afinal, como têm vivido os homens: uns com os outros ou uns contra os outros?


Começamos por descobrir que as palavras de ordem da sociedade dominante, a sociedade ocidental baseada na competição, conduzem a colectividade humana à catástrofe. O futuro é, hoje, ditado pelos banqueiros. Para resolver os seus problemas, as nossas sociedades recorrem a um processo que crêem mágico: o CRESCIMENTO. Consumamos sempre mais e tudo correrá da melhor maneira. As consequências dessa visão estão debaixo dos nossos olhos: uma Terra maltratada, onde sobressaem graves desequilíbrios ambientais e um esgotamento dos recursos; sociedades profundamente desiguais, ilustrativas da injustiça e da exploração de homens por outros homens.


Jesus Cristo [como mais tarde, Francisco de Assis e também, à sua maneira, os seguidores do Budismo e do Socialismo (o verdadeiro) e muitos outros impossíveis de identificar aqui], ousou dizer não ao dinheiro, ao egoísmo, ao poder, à violência, à guerra; ousou dizer sim ao amor, ao respeito pelo próximo, à ideia de que o Homem habita um Universo comum, que com ele forma um todo e de cuja harmonia depende a sua sobrevivência.


Esta é a preciosa herança que Cristo nos legou. A que talvez valha a pena seguir para bem de nós todos.


Os tempos vão sombrios... O futuro?....... ??????????????


Para todos:

UM BOM NATAL!

UM 2008 MAIS JUSTO E SOLIDÁRIO!



Fonte: Ensaio sobre a Pobreza de Albert Jacquard

sábado, 24 de novembro de 2007

Somos Todos Poucos

O problema da pobreza no Mundo, e especialmente em África, não pode deixar de preocupar quem tem um mínimo de consciência. Critiquei, há dias, o actual Papa por estar demasiado preocupado com os católicos que não participam nos rituais da Igreja e que não cumprem as suas normas, em vez de exigir que os crentes ponham em prática aquele que foi o principal desejo de Jesus Cristo: amar os outros homens, sejam eles quem e como forem.
Embora criada e educada dentro do Catolicismo, considero-me agnóstica. Vejo Cristo como um homem bom e o Cristianismo como uma filosofia de vida. A Igreja Católica, no seu todo, é muito pouco cristã e, por isso, não merece o meu respeito. Tenho de reconhecer, no entanto, porque acima de tudo quero ser justa, que há muitos padres e católicos que dedicam as suas vidas ou que, pelo menos, se preocupam e se disponibilizam na medida das suas possibilidades àqueles que mais precisam, os deserdados desta sociedade egoísta e cruel.
O texto que reproduzo a seguir foi-me enviado por um sobrinho meu, escrito por um católico (não sei se é padre) e creio que publicado na Revista Além-Mar. Estou de acordo com o que diz e penso que todos somos poucos para combater o flagelo da pobreza e da doença em África. Sobretudo, temos de entender que este é um assunto que também nos diz respeito.


















Sinais
Setembro

África nossa


Por: JOSÉ DIAS DA SILVA, Investigador universitário

Temos de começar por ver nos Africanos seres humanos iguais a nós e arrependermo-nos dos muitos pecados que estamos a cometer contra eles.

Dentro deste escândalo inaceitável da pobreza, apareceu uma notícia menos má. As pessoas em situação de miséria baixaram dos mil milhões. Mesmo que esta melhoria não seja uniforme, é um bom incentivo. É bom, contudo, não esquecer que em África a situação continua a ser muito grave.

A conjuntura internacional parece estar a despertar para este continente tão esquecido. Esquecido não só quanto a uma informação verdadeira, mas também esquecido porque não queremos assumir as nossas culpas passadas e presentes. E nestas coisas o esquecimento dá-nos a sensação de bem-estar e uma consciência tranquila.

A primeira atitude que temos de recuperar é que os Africanos são também pessoas, tão pessoas como nós. A cada um deles se aplica, tal como a cada um de nós, a definição do Concílio: «uno de corpo e alma», formado por inteligência, vontade, sabedoria, consciência moral e liberdade. Também eles, tal como cada um de nós, são criados à imagem de Deus, redimidos por Jesus Cristo e chamados à felicidade eterna. Nada nos distingue no que temos de fundamental, nada nos separa quanto ao que constitui a verdadeira essência do ser humano.

Uma segunda atitude, não menos importante, é assumirmos as nossas culpas, muitas e graves, nesta situação de pobreza e subdesenvolvimento que se vive em África. Não se trata só de crimes político-geográficos de um passado colonialista. Temos de olhar para o hoje e interrogarmo-nos sobre que tipo de ajuda demos para que os povos se democratizassem no quadro dos seus valores ancestrais. Quantas políticas destruidoras foram impostas pelos senhores, bem pagos e bem instalados, do FMI ou do Banco Mundial, que nada conheciam da cultura africana, do seu espírito comunitário, da força da sua solidariedade, da sua capacidade de trabalho, do seu amor pela natureza, da sua organização social! Quantas lutas foram incentivadas e estão a ser alimentadas para controlar os seus recursos naturais! Quantos milhões fazem os países do Norte a vender armas, que só terão venda enquanto houver guerras, se estimularem ódios tribais, se apoiarem os senhores da guerra! Há ainda a corrupção, não publicitada, com que compramos os ditadores, também eles mestres da corrupção, depositando nas suas contas privadas centenas de milhões de dólares e permitindo que os seus povos, tão ricos em petróleo, diamantes ou fosfatos, morram de fome, de doenças curáveis, de ignorância. Esta «maldição dos recursos» é estimulada pelos democráticos governantes da Europa e das Américas, mas também por todos nós, que os elegemos e os apoiamos com o nosso silêncio cúmplice, no caso das armas, com o nosso egoísmo individual ou grupal, no caso dos subsídios imorais aos agricultores, com a ignorância dos nossos preconceitos que nos fazem olhar esses povos como geneticamente preguiçosos, amantes dos genocídios e incapazes de se governarem.

Depois temos a roubalheira das ajudas, que João Paulo II classificou de «mecanismos perversos», pois, «manobrados pelos países mais desenvolvidos, favorecem os interesses de quem os manobra, mas acabam por sufocar ou condicionar a economia dos países menos desenvolvidos» (SRS 16), transformando-os em verdadeiras "estruturas de pecado".

Enquanto não nos libertarmos destes dois pecados graves, a ajuda aos Africanos sempre será primeiro que tudo uma ajuda aos nossos interesses mesquinhos. Temos, pois, de começar por ver nos Africanos seres humanos iguais a nós e arrependermo-nos, com propósito firme de emenda, dos muitos pecados que estamos a cometer contra eles.

Só assim, com a alma purificada e a consciência de que somos irmãos e de que «todos somos verdadeiramente responsáveis por todos» (SRS 38) podemos contribuir para que todos em conjunto transformemos a nossa única Terra na aldeia global que ela está chamada a ser, «sem excluir nem privilegiar ninguém» (CA 31).

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

A Menina Serena que pensa nos velhos















Velho

Parado e atento à raiva do silêncio
De um relógio partido e gasto pelo tempo,
Estava um velho sentado no banco de um jardim
A recordar fragmentos do passado.

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Na telefonia tocava uma velha canção
E um jovem cantor falava de solidão.
Que sabes tu do canto de estar só assim
Só e abandonado como o velho do jardim?

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O olhar triste e cansado procurando alguém
E a gente passa ao seu lado a olhá-lo com desdém
Sabes, eu acho que todos fogem de ti p’ra não ver
A imagem da solidão que irão viver
Quando forem, como tu,
Um velho sentado num jardim.

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Passam os dias e sentes que és um perdedor
Já não consegues saber o que tem ou não valor
O teu caminho parece estar mesmo a chegar ao fim
P’ra dares lugar a outro, no teu banco do jardim.

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O olhar triste e cansado procurando alguém
E a gente passa ao seu lado a olhá-lo com desdém
Sabes, eu acho que todos fogem de ti p’ra não ver
A imagem da solidão que irão viver
Quando forem, como tu,
Um resto de tudo o que existiu
Quando forem, como tu,
Um velho sentado num jardim.

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Música e letra: Mafalda Veiga

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Era esta a vontade de Jesus Cristo?

Bento XVI e o "raspanete" aos bispos portugueses
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"A Bíblia está cheia de histórias em que o Criador abençoa homens com pouca fé mas muita prática do bem. E a história da Igreja de São Pedro tem muitos episódios de sinal contrário. O que preocupa o Vaticano é o declínio do negócio.
Ratzinger, a quem todos apontam um certo conservadorismo, parece acreditar que a solução passa por um regresso ao passado. Olhará para outras igrejas, e seitas, pensando que o seu relativo sucesso se deve a fundamentalismos.
Acontece que, em matéria de negócios, qualquer 'spin doctor' lhe poderá dizer que o que ele precisa é de adaptar-se ao presente e antecipar o futuro.Para 'salvar' os filhos de Deus - sejam eles católicos, protestantes, judeus ou muçulmanos - não é preciso obrigá-los a ser religiosos. Basta que a religião os ajude a ser racionalmente mais solidários
."
Paulo Baldaia, in "O negócio da fé", "Preto no Branco",
Jornal de Notícias (12.Out.2007)


sábado, 10 de novembro de 2007

Em vez do peixe, dá-lhe a cana!... para que aprenda a pescar.




Há dias em que um simples acaso nos leva a acreditar de novo, nos devolve a fé no ser humano e nos indica o caminho certo e justo.
Por simples acaso passei, hoje, pouco passava do meio-dia, pela RTPN onde se transmitia o programa “Sinais do Tempo”. No meio de tanto lixo televisivo, eis que me foi dado ver, um exemplo do que deve ser um serviço público de televisão.
Soube então que, por exemplo, uma mulher pobre do Uganda pôde desenvolver o seu negócio de manteiga de amendoim artesanal, com a compra dum frigorífico, através da Net, graças a um empréstimo, de menos de 300 dólares, dum cidadão norte-americano.
A organização Kiva (em Swahili =acordo; unidade), põe os pedidos de crédito no site: http://www.kiva.org/ e os financiadores podem emprestar o dinheiro para um dado empreendimento ou contribuindo com pequenas quantias que, somadas, realizarão o total. Não se trata de dar uma esmola, trata-se de financiar, a juros muito baixos ou sem juros, pequenos negócios de pessoas muito pobres, geralmente do Terceiro Mundo, para que possam melhorar as suas vidas e participar no desenvolvimento dos respectivos países.
Todos se lembram de Muhammad Yunus, o economista do Bangladesh que, em 2006, recebeu o Prémio Nobel da Paz, pela criação do Grameen Bank, inventor do microcrédito, que demonstra a grande importância do acesso ao financiamento no combate à pobreza e à exclusão social.
Às vezes, ouvimos falar destas coisas e nem sequer reparamos nos números. Quando, porém, nos apercebemos de que basta qualquer coisa como 250 € para viabilizar um negócio, que vai permitir a alguém viver do seu trabalho com dignidade, coramos de vergonha. Não se trata sequer de “dar a cana”, mas de emprestá-la por um tempo. Pelo que se sabe, até agora, não se registou nenhum caso de financiamento não reembolsado.
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Outro belo exemplo apresentado foi o de um músico paraguaio, oriundo duma família de camponeses pobres e, hoje, maestro da maior orquestra do seu país, que diz só isto: “A vida foi boa para mim. Tenho de retribuir.”
E a forma que encontrou para retribuir foi o seu projecto “Os Sons da Terra”, que se destina à criação de escolas de música, nos bairros mais pobres, onde se ensina também a ser cidadão empenhado e solidário e onde, por vezes, se descobrem grandes talentos. Mudando a vida destas crianças, persegue o sonho dum Mundo melhor e mais belo, onde o nascimento no sítio errado impeça o desenvolvimento das melhores capacidades do ser humano.
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A RTPN proporcionou-me, hoje, um dia mais feliz. Porque me lembrou que ainda há pessoas, genuinamente boas, que conseguem vencer, nelas e em nós, a caridadezinha humilhante e a indiferença que magoa. Afinal, ainda não está tudo perdido... Afinal, ainda há uma réstia de esperança.